ANÁLISE DO CONTO O CÃO DOS BASKERVILLE DE ARTHUR CONAN DOYLE
Almir Barbosa
De acordo com Todorov, filósofo e lingüista búlgaro radicado na França, o romance de enigma se caracteriza pelos seguintes paradigmas: a presença de duas histórias a do crime e a do inquérito. Na primeira, é apresentado um crime, um enigma para ser solucionado. A segunda é contada sob a ótica de um amigo confidente do detetive. Nesse momento na descrição da solução do crime, o narrador reconhece estar explicitamente escrevendo um livro. Outro detalhe importante é que o detetive é totalmente imune. Vejamos como isso ocorre no conto O Cão dos Baskerville, eis um resumo do conto: O Cão dos Baskerville conta a história do Solar dos Baskerville, que há quinhentos anos abriga a família de mesmo nome. No entanto, à época da morte de Hugo Baskerville por um suposto cão diabólico, ergue-se a lenda de que este mesmo cão negro e com fogo saindo dos olhos e da boca assombra a família, matando cada um de seus membros que se arrisca na perigosa charneca próxima ao solar. Sir Charles Baskerville tem o mesmo destino de Hugo: é morto pelo cão. O terrível animal não precisou nem tocar o homem, mas matou-o de susto, já que Sir Charles sofria do coração. Já em Baker Street, o Dr. Mortimer, antigo amigo de Charles, pede ajuda a Holmes para desvendar o mistério do Cão dos Baskerville, e apresenta o novo morador do Solar: Sir Henry Baskerville, sobrinho de Sir Charles. Sherlock manda primeiro Watson para tentar resolver o caso. Na primeira parte do conto a história do crime, ou dos fatos que ocasionaram o crime, tudo leva a crer que um cão misterioso é o causador das mortes, supostamente tem-se uma presença sobrenatural na prática dos atos criminosos. Enquanto nessa primeira história a ênfase é apenas para os crimes, Watson está nela como suposto detetive investigador, dando-nos a falsa idéia de ele que vai solucionar os crimes e o mistério, mas é lerdo engano, pois Todorov explica primeiro é a história do crime e não a da investigação. Quando tudo parecia insolúvel para Watson, surge a história da investigação com Sherlock Holmes apresentando todo o enigma resolvido: - O meu jogo era vigiar Stapleton. Era evidente, contudo, que eu não podia fazer isso se estivesse com vocês, já que ele ficaria atentamente em guarda. Enganei todo mundo, portanto, inclusive você, e fui para o sul secretamente quando pensavam que eu estava em Londres. Minhas provações não foram tão grandes como você imaginou, embora esses detalhes triviais nunca devam Interferir com a investigação de um caso. Fiquei a maior parte do tempo em Coombe Tracey, e só usei a cabana da charneca quando foi necessário ficar perto da cena da ação. (O Cão dos Bakerville, p.149, série LPM Pocket).Percebe-se que, na segunda parte do conto, Sherlock Holmes apresenta como conduziu toda a investigação, chegando a concluir que Stapleton era na verdade um Baskerville que morava na África e resolveu comprar um a propriedade perto do pântano fez sua mulher se passar por sua irmã, usar a lenda do cão e acabar com os descendentes. Assim ele seria o único herdeiro. Dessa forma como Todorov explica, no romance de enigma trata-se de duas histórias, das quais, uma está ausente, mas é real, a outra presente, mas insignificante.Por que ele diz isso? Simples, a primeira tem o mero papel de apresentar um problema que será totalmente explicado na segunda.
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