Direito à
Educação ou Educar os que Prescrevem os Direitos
Almir Barbosa
A
relação legalidade-realidade com relação ao direito à educação
se contrapõe quando à luz dos fatos expostos pela realidade
brasileira é analisada. O autor Carlos Heitor Cury, no artigo “Um
Campo de Atuação do Gestor Educacional na Escola”, ao expor os
documentos oficiais,quais sejam,Constituição Federal,
LDB,Declaração Mundial Sobre Educação para Todos e ECA, aponta a
legalidade do direito à educação,garantido como um bem
alcançável,palpável e extensivo a todos. Tais direitos expressos
respaldam a necessidade do poder público de oferecer uma educação
gratuita,qualitativa e que resolva os problemas da desigualdade
social,porém,na prática, tudo é mera utopia, visto que o maior
problema da desigualdade social não se encontra na escola. Esta,
reflete o que os governantes e a elite dominante faz na própria
sociedade,negar os direitos e impor uma carga desumana de
aprisionamento e clausura social. Isto é,desvio de verbas destinadas
à educação,saúde precária,brechas na lei para se eximir de
maiores investimentos, desvalorização do profissional da
educação,precariedade das unidades escolares,jogo político sujo e
corruptor ,em que o ser humano é apenas mero número.
Gestão
democrática que em alguns municípios do país não acontece por não
servir aos interesses do poder Executivo Municipal, e quando
acontece, tem-se a presença sorrateira de políticos para se
angariar votos do gestor nas eleições subsequentes. Não deixando a
própria comunidade escolher seus representantes. Projeto Político
pedagógico que atende às necessidades da Secretaria da
Educação,pois deseja tal documento com pressa.
Aproximar a comunidade escolar da própria escola é outra
desafio,visto que por décadas,os pais,funcionários,alunos e até
professores sempre estiveram na plateia assistindo o “diretor”
mandar na escola. A parte financeira da escola com a gestão
democrática é um grande desafio para o novo gestor ,pois é algo
novo e pode dar cadeia, caso não se saiba gerenciar os recursos
legalmente. Tudo caminha a passos lentos,porém com uma luz no fim do
túnel, e isso já é um bom sinal.
A Educação como Direito se contrapõe a corrupção galopante da
sociedade,onde pessoas que deveriam dar exemplo de cumprimento dos
deveres são os primeiros a desvincular-se da leis prescritas. Oh!
Grande desafio para o docente e o gestor educacional no século xxi:
educar não apenas os alunos,mas os próprios administradores ou
líderes que supostamente nos indicam os caminhos da educação.
Finalmente conclui-se que se o que se prescreve na lei for de
fato cumprido,haverá mudança. Não algo mágico que mude a história
da desigualdade social ,que é histórica e interessante à elite
dominante,mas de forma gradual e com compromisso de todos.
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