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quarta-feira, 25 de julho de 2012


Direito à Educação ou Educar os que Prescrevem os Direitos
                                                                                        Almir Barbosa
A relação legalidade-realidade com relação ao direito à educação se contrapõe quando à luz dos fatos expostos pela realidade brasileira é analisada. O autor Carlos Heitor Cury, no artigo “Um Campo de Atuação do Gestor Educacional na Escola”, ao expor os documentos oficiais,quais sejam,Constituição Federal, LDB,Declaração Mundial Sobre Educação para Todos e ECA, aponta a legalidade do direito à educação,garantido como um bem alcançável,palpável e extensivo a todos. Tais direitos expressos respaldam a necessidade do poder público de oferecer uma educação gratuita,qualitativa e que resolva os problemas da desigualdade social,porém,na prática, tudo é mera utopia, visto que o maior problema da desigualdade social não se encontra na escola. Esta, reflete o que os governantes e a elite dominante faz na própria sociedade,negar os direitos e impor uma carga desumana de aprisionamento e clausura social. Isto é,desvio de verbas destinadas à educação,saúde precária,brechas na lei para se eximir de maiores investimentos, desvalorização do profissional da educação,precariedade das unidades escolares,jogo político sujo e corruptor ,em que o ser humano é apenas mero número.
Gestão democrática que em alguns municípios do país não acontece por não servir aos interesses do poder Executivo Municipal, e quando acontece, tem-se a presença sorrateira de políticos para se angariar votos do gestor nas eleições subsequentes. Não deixando a própria comunidade escolher seus representantes. Projeto Político pedagógico que atende às necessidades da Secretaria da Educação,pois deseja tal documento com pressa.
Aproximar a comunidade escolar da própria escola é outra desafio,visto que por décadas,os pais,funcionários,alunos e até professores sempre estiveram na plateia assistindo o “diretor” mandar na escola. A parte financeira da escola com a gestão democrática é um grande desafio para o novo gestor ,pois é algo novo e pode dar cadeia, caso não se saiba gerenciar os recursos legalmente. Tudo caminha a passos lentos,porém com uma luz no fim do túnel, e isso já é um bom sinal.
A Educação como Direito se contrapõe a corrupção galopante da sociedade,onde pessoas que deveriam dar exemplo de cumprimento dos deveres são os primeiros a desvincular-se da leis prescritas. Oh! Grande desafio para o docente e o gestor educacional no século xxi: educar não apenas os alunos,mas os próprios administradores ou líderes que supostamente nos indicam os caminhos da educação.
Finalmente conclui-se que se o que se prescreve na lei for de fato cumprido,haverá mudança. Não algo mágico que mude a história da desigualdade social ,que é histórica e interessante à elite dominante,mas de forma gradual e com compromisso de todos.
                                                                        

sexta-feira, 20 de julho de 2012

DIREITO À EDUCAÇÃO NO BRASIL

Autor Almir Barbosa

Sempre haverá na sociedade brasileira e internacional a necessidade de se lutar por direitos humanos. Ainda que leis e decretos possibilitem oportunidades e investimentos nas área da educação, sempre haverá lacunas a serem preenchidas,quer seja por crescimento populacional,deficiência dos serviços ou corrupção dos responsáveis.
Sabe-se que as ações nacionais são movidas por outras internacionais,pois nunca um investimento em educação no país,está desvinculado dos movimentos e inquietações globais por melhores condições para uma educação de qualidade.

O Pacto Internacional de Direitos Econômicos,Sociais e Culturais como instrumento legal de cunho internacional fomenta e instiga a todos os povos a oferecer a todo cidadão o direito a educação. Tal documento respalda que não somente aqueles que tem melhores condições de vida devem usufruir de uma educação de qualidade, como também a queles que não tiveram em idade escolar a oportunidade de usufruir de tal benefício por motivos de trabalho, péssimas condições de vida.
A partir de um documento de cunho internacional, qual seja o citado acima, o direito à educação também foi corroborado pela lei maior do nosso país,isto é, a Constituição Federal que preza a educação como direitos de todos de forma irrevogável,inegável e de responsabilidade do poder público,sendo este o proporcionador de uma educação qualitativa e extensiva,qual seja,que seja garantida a todos os cidadãos brasileiros em idade escolar. Sendo um direito do cidadão caberia ao governo federal,estadual e municipal outorgar tais privilégios ao brasileiro. Tal outorga não se restringe a uma mera existência de uma unidade escolar ou de uma universidade,isto também requer investimento e profissionalização e melhores salários dos docentes,bem como infraestrutura. Nesse contexto a 9394/96, a nova LDB, veio fortalecer tal obrigatoriedade do ensino e do direito à educação: divulgar a cultura nacional e gerar novos produtores de saber ou de conhecimento, até mesmo instigando empresários a ofertar educação nas escolas particulares.
Diante dos documentos supracitados poder-se-ia concluir : dessa forma ,tudo caminhará a passos largos e o analfabetismo e evasão escolar não mais serão debatidas. Lerdo engano. Com o crescimento populacional e a insuficiência da educação ofertada, bem como a precariedade do ensino, baixos salários pagos aos docentes e a corrupção dos políticos responsáveis em gerir recursos educacionais, veio à tona uma realidade:crescimento do analfabetismo ,evasão escolar e precariedade do ensino. Diante de uma situação como essa o efeito sanador tornou-se o seguinte:o aumento dos anos do Fundamental para nove anos , antecipando a idade escolar, maiores investimentos na educação, implementação de programas como PDE, PDDE em que as próprias escolas seria auto-gestoras e em consonância com a gestão democrática das unidades escolares e universidades. Somado a tudo isso houve maiores investimentos na Educação Básica, Eja e tele-ensino, bem como o cuidado com a educação especial ,àqueles que antes eram excluídos.
Embora o direito à educação tem avançado bastante exemplos no Nordeste demonstram que a falta de equidade na distribuição dos recursos bem como a qualidade do que se oferta ainda reflete algo: temos muito que avançar para que os direitos sejam de fato garantidos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Estou refletindo pra poder postar,estou no Brasil,"pois não vim do Canadá"!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

INGLÊS

> Língua Estrangeira: Inglês no Brasil
É preciso ir além do ensino para inglês ver o
Essencial num mundo globalizado, um bom ensino de Língua Estrangeira na rede pública requer foco na formação dos professores

Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

Durante muito tempo, vigorou na sociedade a noção de que "pobre não precisa estudar outro idiomas porque nunca irá para o exterior". De forma um pouco mais velada, essa perspectiva respingou até mesmo nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que defendem a aquisição das habilidades de leitura como foco da disciplina. O Inglês - Língua Estrangeira mais ensinada nas séries finais do Ensino Fundamental - tornou-se, assim, uma espécie de patinho feio do currículo. As décadas de descaso cobram seu preço nos rankings de proficiência em inglês. Em um dos mais recentes, organizado pela rede de ensino de idiomas Education First, o Brasil aparece em 31º lugar, entre 44 nações.

Aceitar esse tipo de concepção é comprar uma visão estreita do ensino de idiomas: a ideia de que se aprende uma língua apenas por sua utilidade, quando ela possibilita muito mais - ampliar horizontes, mergulhar numa nova cultura e refletir sobre a própria identidade. O argumento elitista se derrete num cenário em que as possibilidades de comunicação com o mundo colocam a oralidade e a escrita no mesmo grau de importância da leitura. Esse novo contexto, entretanto, parece muito distante da realidade das escolas brasileiras, onde temos falhado em oferecer até o mínimo essencial. Parte do problema repousa na falta de profissionais qualificados. De acordo com um levantamento do Conselho Nacional de Educação (CNE), há o déficit de 47,6 mil professores da disciplina nas séries finais do Ensino Fundamental. E, dos que estão nas salas, menos de um terço tem formação específica (leia o gráfico na página 30).

O drama aumenta quando se percebe que mesmo os formalmente habilitados são, muitas vezes, despreparados. O livro Inglês em Escolas Públicas Funciona? traz depoimentos impressionantes sobre o tema. "Ao assumir uma turma de língua inglesa em uma escola estadual, meus alunos me contaram que haviam aprendido a contar até dez e que a professora anterior dissera que iria aprender a contar até 20 para, depois, ensinar a eles", relata Vera Lúcia de Menezes de Oliveira e Paiva, docente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Também formadora de professores, Adelaide Pereira de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), relembra o tempo em que cursava Letras, quando a maioria de seus colegas não falava inglês e saía da universidade sabendo quase nada. "Hoje, como docente, ainda vejo a mesma coisa acontecer", afirma.

31º lugar
É a posição que o Brasil ocupa numa lista de 44 países em relação à proficiência em língua inglesa
Fonte Estudo Índice de Proficiência em Inglês da Rede Education First
Revistaescolaabril.com.br

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A CRIAÇÃO POÉTICA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEXTO POÉTICO

A CRIAÇÃO POÉTICA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEXTO POÉTICO


Marcel Franco, Belém (PA) • 10/5/2009 •

Marcel Franco (Letras/UEPA)

1. POEMA VERSUS POESIA

É bom destacar a diferença entre poema e poesia. Apesar de serem tratadas por muitos como sinônimos, o uso dos dois termos entre os estudiosos apresenta diferenças, a saber:

1.1 Poesia: Caráter do que emociona, toca a sensibilidade. Sugerir emoções por meio de uma linguagem. (FERREIRA, 1993)

1.2 Poema: Obra em verso em que há poesia.

Se o poema é um objeto empírico e se a poesia é uma substância imaterial, é que o primeiro tem uma existência concreta e a segunda não. Ou seja: o poema, depois de criado, existe per si, em si mesmo, ao alcance de qualquer leitor, mas a poesia só existe em outro ser: primariamente, naqueles onde ela se encrava e se manifesta de modo originário, oferecendo-se à percepção objetiva de qualquer indivíduo; secundariamente, no espírito do indivíduo que a capta desses seres e tenta (ou não) objetivá-la num poema; terciariamente, no próprio poema resultante desse trabalho objetivador do indivíduo-poeta. (LYRA, 1986)

O poema destaca-se imediatamente pelo modo como se dispõe na página. Cada verso tem um ritmo específico e ocupa uma linha. O conjunto de versos forma uma estrofe e a rima pode surgir no interior dessa estrofe. A organização do poema em versos pode ser considerada o traço distintivo mais claro entre o poema e a prosa (que é escrita em linhas contínuas, ininterruptas).

No Cruz e Sousa das obras iniciais, há esse poema, considerado um marco do Simbolismo no Brasil, no qual o autor se vale das figuras de linguagens (aliteração, sinestesia), que revela, então o uso da poesia, tão eloqüente no quarteto:

Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

2. TIPOS DE POEMAS

Os poetas têm escrito poemas de vários tipos. Dois deles, entretanto, são considerados os principais: o poema lírico e o poema narrativo. Alguns críticos e ensaístas acrescentam, como um terceiro tipo, o poema dramático.

2.1 Poema lírico: É geralmente curto. Muitos carregam grande musicalidade: ritmo e rima às vezes os fazem parecer canções. No poema lírico o autor expressa sua reação pessoal ante as coisas que vê, ouve, pensa e sente. Alguns teóricos incluem nesse tipo de poesia o poema satírico. Para conhecer os vários tipos de poesia lírica, veja BALADA; CANÇÃO; ELEGIA; HINO; IDÍLIO; ODE; SONETO.

2.2 Poema narrativo: Conta uma história e geralmente é mais extenso que os outros. O poeta apresenta os ambientes, os personagens e os acontecimentos e lhes dá uma significação. Um exemplo de poema narrativo é Os Lusíadas, de Luís de Camões. As epopéias e as baladas estão entre os principais tipos de poesia narrativa. Costumamos pensar que as fábulas são trabalhos em prosa, mas muitas delas foram escritas originariamente como poemas narrativos. Para maiores informações sobre essas formas poéticas, veja: BALADA; EPOPÉIA; FÁBULA.

2.3 Poema dramático: Assemelha-se ao poema narrativo porque também conta uma história e é relativamente longo. Mas, no poema dramático, essa história é contada através das falas dos personagens. As peças de teatro escritas em verso constituem forma de poesia dramática. Em sentido amplo, também pode ser considerado um exemplo o "Caso do Vestido", de Carlos Drumonnd de Andrade. Através de uma suposta conversa entre mãe e filhas, o leitor acompanha uma história de amor e traição e tem os elementos para reconstituir o caráter e os sentimentos dos personagens principais.

3. AS TRÊS GRANDES VERTENTES DA CRIAÇÃO POÉTICA

Deve-se ter em mente é que o aspecto fundamental da criação poética está relacionado à antologia de toda obra literária, que é uma obra de arte assentada na representação de uma realidade, seja de natureza interior ou exterior. Entretanto, a forma com é feita essa representação ou o próprio ato criativo tem sido teorizado sob enfoques diferentes e que podem ser alinhadas em três grandes vertentes:

3.1 Teoria Mimética: da Antiguidade até a 1ª metade do século XVIII;
3.2 Teoria Expressiva: da 2ª metade do século XVIII até o século XIX;
3.3 Teoria Intelectualista: do século XIX ao século XX.

TEORIA MIMÉTICA: “Um espelho para a natureza”

Para Platão a palavra “mimesis” e as múltiplas gradações de sentido configuram, no livro X da “República”, como um ato de divertimento em que se reproduz a aparência e não a verdade profunda dos seres e das coisas. Para ele o pintor, o escultor e o poeta estão afastados de 3 degraus da verdade e qualquer um deles é o terceiro poietes, pos:

1º: Deus: que cria a ideia
2º: Artífice: que fabrica um objeto segundo essa ideia
3º: Artista: que representa esse objeto ----------→; poietes

Segundo Aristóteles, em “Poética”, na gênese da poética, encontra-se a tendência da imitação, fato congênita nos homens. Para ele, arte é mimeses, no entanto, cada arte dispõe, para imitar, de meios, objetos e maneiras que lhe são peculiares.

TEORIA EXPRESSIVA: “Revelação do interior do poeta”

A partir da segunda metade do século 18 a teoria mimética entra em declínio, quando é negado o caráter imitativo de todas as artes. Isso se deve ao Lord Henry James na obra “Elements of Cristicis” (1762) que subdividiu as artes em imitativas por naturezas (pintura e escultura), não imitativas (música e arquitetura) e de condição híbrida (poesia, quando a linguagem poética imita som e movimento, como o teatro).

Nesse momento literário, eleva-se a personalidade do artista no ato criador e, com isso, a atenção desloca-se do objeto (obra de arte) para o sujeito que cria (poeta). O ideário poético deixa de se constituir na imitação da natureza para transforma-se na expressão dos sentimentos, dos desejos, das aspirações do poeta.

Na teoria expressiva o poema deixa de ser reflexo do real objetivo para tornar-se uma revelação da interioridade do poeta, isto é, não é mais um espelho da natureza, mas uma segunda natureza.

É nesse período de “Sturn und Drang” (“tempestade e ímpeto”) que se revela o poeta possesso, inspirado, vidente, aquele que conhece o lado oculto das coisas e dos seres, que desposa o mistério, penetra no absoluto e reinventa a realidade e o ato criador defini-se pela sua liberdade e pela sua rebeldia perante os modelos da realidade diante da qual o escritor é soberano.

TEORIA INTELECTUALISTA: “O reflexo da inteligência e fruto do trabalho”

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir
Que é dor
A dor que deveras sente

O fingimento poético de Fernando Pessoa, que se contrapõe ao confessionalismo dos românticos e, em suma, é a essência da teoria intelectualista, que almeja explicar o ato criador. Nesse momento o poeta recusa o que pode degradar a consciência, dizendo que “O entusiasmo não é um estado da alma do escritor [...] Escrever deve se construir, a mais sólida e exatamente que se possa, essa máquina de linguagem.”

Carlos Drummond, João Cabral, Andre Gide, T. S. Eliot exprimem esta poética da lucidez e do difícil rigor em muitos dos seus poemas, por meio da concepção intelectualista do ato criador. Notadamente, o poeta deste período, nominado, então, de artífice, é um arquiteto do poema e sua inspiração é movida muito pela objetividade, pelos problemas sociais, existenciais do homem e do meio em que vive.

4. REFERÊNCIAS

AUERBACH, Eric. Mimeses. São Paulo: Perspectiva, 1976

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

LYRA, Pedro. Conceito de Poesia. São Paulo: Ática, 1986.

SILVA, Vitor Manuel Aguiar e. Teoria Literária. 2. Ed. Coimbra: Almedina, 1968

WILLEMART, Philippe. Universo da Criação Literária. São Paulo: Edusp, 1999

_________
* Palestra ministrada pelo escritor paraense e acadêmico de Letras (UEPA), Marcel Franco, durante a Semana do Calouro da UEPA / 2009, no dia 10.02.2008, na sala 01, do Castelinho (CCSE/UEPA)

tags: Belém PA literatura criacao-literaria poetica

RESENHA SOBRE O LIVRO :DEPOIS DA TEORIA, DE TERRY EAGLETON

RESENHA SOBRE O LIVRO:DEPOIS DA TEORIA,
DE TERRY EAGLETON

Sylvia Maria Campos Teixeira
Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia
EAGLETON, Terry. Depois da teoria: um olhar sobre os Estudos Culturais e o pós-modernismo. Tradução de Maria Lucia Oliveira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. 306 p.

Em A função da crítica (1991), Terry Eagleton, um dos últimos intelectuais da década de 1960 e que não renunciou às idéias marxistas, já defendia “a tese de que a crítica contemporânea perdeu toda a relevância social” (1991, p. 1). Em seu novo trabalho, Depois da teoria (2005), olha para trás, em torno e para frente em relação ao campo que ajudou a fundar, e escreve em resposta ao mal-estar teórico da academia ocidental, com um olhar para as conseqüências do 11 de setembro de 2001.
Inicia o livro com a afirmativa: “A idade de ouro da teoria cultural há muito já passou” (p. 11), e lembra-nos também que estamos bem longe dos insights de seus maiores pensadores: Althusser, Barthes, Derrida, Foucault, Kristeva, Lacan. Com essas duas assertivas provocativas e estimulantes, o autor desafia àqueles que procuram compreender o estado do mundo crítico atual.
Nessa perspectiva, em oito capítulos, Eagleton traça a ascensão e queda da teoria desde a década de 1960 até a de 1990; explora os fatores que levaram ao pós-modernismo e oferece as perdas e ganhos da teoria cultural. Nos três últimos capítulos, ele adverte que, numa nova época de globalização e terrorismo, o pacote de idéias conhecidas como pós-modernista não dá mais conta da situação da política atual. Vê igualmente a necessidade de os intelectuais contemporâneos se engajarem num conjunto de tópicos: fundamentalismo/revolução, religião/ética, ser/não-ser – que, para ele, foi largamente ignorado tanto pela academia quanto pelo público.
No capítulo 1, A política da amnésia, Eagleton nos dá uma visão sobre a teoria cultural e seu sucesso entre os críticos da literatura. Segundo ele, esse período já passou e estamos vivendo agora suas conseqüências. Ou seja, numa época na qual as barreiras entre alta e baixa cultura romperam-se e os acadêmicos “(...) trabalham com temas sensacionalistas como vampirismo (...) seres biônicos e filmes pornôs” (p. 15). A partir daí, o autor enfatiza que o maior legado da teoria cultural foi o feminismo e os estudos culturais (cultura popular e pós-colonialismo), com sua crítica ao patriarcado, ao capitalismo, e o reconhecimento que ser o Outro não é sempre uma experiência tão liberadora. Mas que, de acordo com o teórico, ainda continua sendo a eterna questão marxista de luta de classes, porque os pós-modernos apenas mudaram “o foco de classe e nação para etnicidade” (p. 26). Ele contrapõe esta crítica sobre uma teoria amnésica com um comentário laudatório sobre os esforços do movimento anticapitalista inicial, que procurava um equilíbrio entre “globalidade e localidade, diversidade e solidariedade” (p. 39).
Em A ascensão e queda da teoria, Eagleton tenta nos dar uma genealogia da teoria cultural. Nesse capítulo, pinta um quadro completo da briga, da esperança, do desafeto e da inovação que caracterizou a cultura e foi pensado naquela época. E é, na verdade, relevante para nossa compreensão da época atual ler os trabalhos de Foucault, Kristeva, Derrida etc., para imaginarmos como a produção deles inextricavelmente se entrelaçou com os apelos revolucionários de diversos tipos e em diversos lugares – desde os situacionistas na França à liberação neocolonial em Gana. Eventualmente, entretanto, o stalinismo e o capitalismo subjugaram os idealistas da época, e os discursos da cultura assimilaram o que o ativismo político transformou em terror até a submissão. Eagleton chama a atenção para o fato de que “(...) muito da nova teoria dos Estudos Culturais nasceu de um diálogo extraordinariamente criativo com o marxismo” (p. 58). Nesse ponto, parece sugerir que um marxismo liminar pode muito bem dar frutos para aqueles teóricos interessados em fazer mais do que uma asserção sobre o fim da história, jogando com a diferença, o traço e os suplementos perigosos, ou especulares, distantes, sobre a realidade ou a não-realidade de uma guerra.
No terceiro capítulo, O caminho para o pós-modernismo, Eagleton, que continua marxista, analisa, com uma certa dose de ironia, a trajetória da teoria pós-moderna, observando que:

Foi irônico que o pensamento pós-moderno criasse tamanho fetiche em torno da diferença, dado que seu próprio impulso era apagar as distinções entre imagem e realidade, verdade e ficção, história e fabula, ética e estética, cultura e economia, arte culta e arte popular, esquerda e direita política. Ainda assim, enquanto os corretores e financistas estavam tornando Huddersfield e Hong-Kong cada vez mais próximas, os teóricos culturais batalhavam para mantê-las separadas. Enquanto isso, o Fim da História foi complacentemente decretado a partir de uns Estados Unidos que pareciam cada vez mais em risco de terminar com ela de verdade. Não mais existiram conflitos mundiais importantes. Mais tarde ficaria claro que os fundamentalistas islâmicos não estavam prestando suficiente atenção quando esse anúncio foi feito (p. 75).

Contudo, somos levados a discordar de Eagleton quando salienta que a maior diferença entre modernismo e pós-modernismo é de que o pós-modernismo é “(...) ainda muito jovem para se lembrar de uma época na qual existiam (assim diziam os rumores) verdade, identidade e realidade, e em que não sentia nenhum abismo estonteante sob seus pés” (p. 89), e, por isso, paira despreocupadamente sob a proteção do ar “pós-trágico”. Antes pensamos que muito do que é chamado de teoria pós-moderna permitiu que as vozes marginalizadas soassem numa ordem estética e social, dando algum poder para aqueles que, historicamente, jamais o tiveram. E esperaríamos que Eagleton soubesse a diferença, particularmente quando reivindica a teoria pós-colonial e o feminismo como os mais importantes desenvolvimentos na teoria cultural. Não obstante o autor termina sua análise do caminho para o pós-modernismo com a crítica sobre o latente conservadorismo no pós-moderno que se inclina, favorável e inflexivelmente, para análises de micro-narrativas. Não é somente uma recusa firme das grandes narrativas desconfortáveis como “(...) da erudição conservadora (...) que também só acredita apenas no que pode ver e pegar” (p. 106), mas também é “Exatamente no ponto em que começamos a pensar pequeno, a História começou a agir grande” (p. 107). Assim, Eagleton afirma que “A conclusão inescapável tem que começar a pensar de maneira mais ambiciosa (...) para que possa buscar compreender as grandes narrativas nas quais está agora enredada” (p. 107-108). Portanto seu argumento é que a suposta sobrevivência do pós-modernismo, com seu desdém por qualquer teoria ou política que chegue a compreender o mundo, está muito mal equipada para desafiar as destruições do capitalismo e do imperialismo na era da “guerra contra o terror”.
Depois de um início tão combativo, não é nenhuma surpresa que Eagleton declare guerra aos prejuízos da teoria contemporânea pelos títulos dos capítulos subseqüentes: Verdade, virtude e objetividade; Moralidade; Revolução, fundamentos e fundamentalistas; e a morte, o mal e o não-ser.
No quinto capítulo, Eagleton faz sua mais arrojada reivindicação a favor do socialismo, quando afirma:

Uma razão para julgar o socialismo superior ao liberalismo é a crença de que seres humanos são animais políticos não apenas porque, para se realizar, têm que levar em conta as necessidades de realização uns dos outros, mas também porque, de fato, somente atingem sua realização mais profunda quando em reciprocidade (p. 170).

Assim, no presente clima político, não basta escrever sobre tópicos sexuais, ter um diploma ou estar empregado, há a necessidade de escaparmos dos interesses simplistas e dos desinteresses políticos.
No capítulo intitulado Moralidade, o autor explica o conceito do termo. Não se trata de “algo um tanto embaraçoso”, nem “de um nome de fantasia para oprimir outras pessoas” (p. 191). Também não é a moralidade cínica usada pelo governo na questão da guerra ao terror. A moralidade “é toda sobre fruição e abundância de vida” (p. 194). Eagleton, nesse capítulo, também mostra que “Na chamada guerra contra o terrorismo, por exemplo, a palavra ‘mal’ realmente significa: ‘Não procure uma explicação política.’” (p. 194). E que podemos tranqüilamente “(...) ignorar a luta do povo palestino ou a dos árabes que têm sofrido sob sórdidas autocracias de direita apoiadas pelo Ocidente em busca de seus propósitos egoístas, sedentos de petróleo” (p. 194).

Essas declarações não são apenas críticas contra a administração de Bush e/ou de Blair; elas servem de exemplo para o argumento principal de Eagleton: onde está a tradição no pensamento pós-moderno, com os elogios ao relativismo? Como o pós-modernismo poderia dirigir adequadamente os desafios que encaramos na atual situação mundial?

Para ele, se aceitarmos que verdade, objetividade, virtude, mal, entre outras coisas, são reais; podemos, então, dirigir-nos para um verdadeiro engajamento e nós, teóricos, voltaríamos a sermos relevantes.
E, no poderoso capítulo final, no qual evita a natureza do mal e suas manifestações globais passadas e presentes, Eagleton admite que, na verdade, jamais estaremos “depois da teoria”. Em lugar disso, sugere que precisamos voltar, decisivamente, a encarar os urgentes debates sobre a existência e não nos escondermos deles. A única coisa que resta, afinal, é a viabilidade de teorias que reivindicam que as grandes narrativas do bem e do mal, da liberdade e da natureza tenham sido superadas – um erro que até o mais rápido olhar em direção ao Sul poderia confirmar. Eagleton propõe, em vez disso, um começo de novas teorias engajadas com os interesses do mundo e seus habitantes a fim de que possamos atingir um efeito positivo e palpável a esse respeito.

Portanto, na escolha do título, Eagleton não sugere, como poderíamos pensar, que a teoria tenha acabado, mas aponta para uma teoria que se volte para questões mais importantes num mundo pós-11 de setembro, politicamente dominado por uma administração norte-americana arbitrária e ameaças terroristas. Depois da teoria não é simplesmente uma denúncia das fracas tendências acadêmicas atuais, nem uma nova asserção do leninismo ortodoxo, em lugar disso, apresenta um “movimento aberto” em direção a uma reavaliação das tradições filosóficas ocidentais, em particular o marxismo. É uma teoria provocativa e desafiadora que leva o leitor ao cerne de questões fundamentais, propondo à teoria cultural um grande desafio: “(...) romper com a ortodoxia bastante opressiva e explorar novos tópicos (...), no sentido de que não pode haver vida humana reflexiva sem ela” (p. 297).

Referência Bibliográfica
EAGLETON, Terry. A função da crítica. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

MARCADORES DO DISCURSOS EM INGLÊS

Marcadores do discurso em Inglês

Certas palavras desempenham um importante papel na organização das idéias e são fundamentais para a compreensão de um texto. Essas palavras-chave (conjunções, preposições, etc) são chamadas de marcadores do discurso. Veja alguns abaixo:


for example= por exemplo ( idéia de exemplificação)
from= de ( idéia de origem)
like= como ( idéia de comparação)
and= e ( acréscimo de idéias)
to= para ( finalidade)
but= mas ( idéia de contraste)
because= porque ( idéia de causa)
such as= tais como ( idéia de exemplificação)
or= ou ( alternativa)
so= portanto, por isso ( consequência)
also= também ( acréscimo de idéias)
then= então, depois ( sequência de acontecimentos)
before= antes de ( tempo)
if= se ( condição)
when= quando ( tempo)
else= mais ( acréscimo)
even= até, mesmo ( ênfase)
yet= no entanto ( contraste)
not only= não só, mas também ( acréscimo de idéias)
whether= se ( condição)
as= como ( na qualidade de)
on the other hand= por outro lado ( contraste)
while= enquanto ( contraste)
while= enquanto ( simultaneidade)
however= no entanto, contudo ( contraste)
so that= para que, de modo que ( resultado ou propósito)
not even= nem mesmo ( ênfase)